E quando a morte chegar?
De repente os olhos se fecham, a última imagem captada em seu definitivo olhar se apaga, a luz dá espaço à escuridão.
Os lábios, que há pouco articulavam palavras banais, agora se calam para sempre. Gélidos e sem cor, escondem até o que não foi dito.
Seus ouvidos, que há instantes, desatentos absorviam todos os sons, agora estão surdos. Sua pele ainda morna do sangue que corria, lentamente esfria e o tom natural empalidece, acinzenta.
As suas mãos, que portavam algo qualquer, as mesmas que já acariciaram seus amados, que seguraram tantas outras inseguras e desejosas de afeto, agora não possuem forças para tocar.
Progressivamente cada órgão perde o ritmo. Seu coração diminui o pulsar; seus pulmões não se enchem de ar; seu cérebro tão cheio de lembranças, memórias e conhecimento, agora é privado de tudo.
A solidão envolve esse misto de tristeza e distância. Nesse momento nada mais é como antes. Aquela xícara de café, que há minutos havia pegado, ficou pela metade… A mensagem que estava por mandar, a ligação por fazer, a conta a pagar… tudo manteve-se. A pendência no banco, a conversa não terminada, a aula e livro começados…
O silêncio!
Você está sozinho. Pessoas estão ao seu redor, mas você está sozinho. Seu corpo já sem vida, agora está distante de sua alma. Ao longe você ouve as conversas, essa gente chorando, correndo, telefone, carros. Mas você está sozinho. A matéria é chegada ao fim. A voz se calou.
Ao madeiro ouviu-se: “Pai, por que me abandonaste?”. No fim, todos estarão sós.
Os solitários instantes derradeiros, duram o tempo suficiente para que o encontro final com a eternidade aconteça.
E a Verdade é revelada. Nada mais se esconde aos seus olhos. Toda sua vida desvelada e julgada, ao peso de seus atos, pensamentos e omissões. Sua culpa, suas escolhas, suas boas ações, o seu amor a Deus e aos irmãos.
O que fez com o tesouro que lhe foi confiado? Multiplicou? Escondeu? Deixou ser saqueado?
Onde esteve seu coração nos anos que lhe foram permitidos viver? Como ele estava no momento em que foi chamado a se por diante do justo juiz?
Como ocupou seu tempo? De que falou sua boca? Que pensamentos construiu? Quanto amor depositou naquilo que fez?
Nessa hora nada mais importa além daquilo que é. Não há mais máscaras, mentiras, invenções, superfícies, não há jeitinho, nem um tempo a mais, nem outra chance.
A escolha já foi feita, a decisão foi tomada. Ao longo de cada dia vivido.
E se na balança pesar o céu…
A tristeza do apartamento entre a alma e a vida nessa terra, é sucedida pela alegria do Sol que arde o júbilo daquele que renasce para não mais morrer.
Cumpriu-se a promessa: “Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição”. Ap. 21, 4
Todavia, se o peso não for esse, a perdição, condenação e fim serão eternos.
Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte”. Ap. 21, 8
Contudo, você ainda respira. Vive! Ainda há tempo. Agora é o tempo.
E se a morte chegasse hoje?

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